Revista Top Of Business - Edição nº 17
No caminho inverso: crescimento em meio à crise.
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A Cooperativa de Crédito Federalcred, que contabilizou um crescimento entre 16 e 25% em suas singulares, no período da crise mundial financeira, é exemplo de que a solução para o desenvolvimento sustentável de qualquer grupo da sociedade é cooperar.
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A fase é de comemoração, pelo menos, para o setor de cooperativas de crédito no Brasil, que, em meio à crise, registraram um expressivo crescimento em seus negócios. Enquanto os bancos preocupados com o rumo da crise fecharam suas carteiras e diminuíram o crédito, as cooperativas andaram na contramão, abrindo linhas de créditos com recursos próprios e hoje comemoram os excelentes números, como é o caso do Sistema Federalcred (Sistema de Crédito Mútuo dos Policiais, Federais e Servidores da União), representado por Noaman Raimundo Alencar.
O Sistema e a Crise
A Federalcred Central foi constituída em 19 de novembro de 2000. Cooperativas de crédito dos policiais federais e rodoviários federais dos estados de Alagoas, Paraíba,
Ceará, Goiás e Espírito Santo decidiram unir-se em torno da ideia de criar um sistema de crédito cooperativo próprio, que pudesse congregar cooperativas com similaridades importantes, como área de ação, nicho de negócios e características econômico-financeiras. A avaliação do Banco Central do Brasil sobre a constituição da Central foi um processo longo e criterioso, por tratar-se da primeira cooperativa central do país a pleitear área de abrangência nacional. Sete meses após a assembleia geral de constituição, era homologada a primeira (e até hoje única) Central de Cooperativas de Crédito do Brasil com abrangência em todo o território nacional. Surgia o Sistema Federalcred.
O projeto original consistia em constituir cooperativas de policiais federais e rodoviários federais em cada uma das unidades da Federação, num período estimado em 15 anos. Foi escolhida a cidade de Maceió para abrigar a sede da Central, principalmente em razão de os diretores eleitos residirem e trabalharem nessa cidade. Logo a Central começou a empreender importantes ações com foco no desenvolvimento do Sistema Federalcred. Fomentou e assessorou, diretamente, a constituição de novas Federalcred nos estados do Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Pernambuco e, mais recentemente, no Paraná e em Santa Catarina. Filiou-se a Saudecred, que congrega servidores do Ministério da Saúde de Alagoas, e está em processo de filiação da COOPEC, de servidores da CEPLAC em Ilhéus (BA), e da COOSUFF, dos funcionários da Universidade Federal Fluminense do Rio de Janeiro.
Elaborou o projeto de reformulação do convênio de compensação de cheques e outros papéis com o Banco do Brasil, apresentado à diretoria do banco em 2001 e reapresentado em 2002, cuja implantação revolucionou o relacionamento daquela instituição com as cooperativas de crédito de todo o país e alçou as cooperativas do Sistema Federalcred ao status de pilotos em todos os projetos do banco para o segmento. Firmou convênios de cooperação, inéditos no Brasil, com a Unicred Norte-Nordeste, para compartilhamento de sua estrutura de auditoria e de repasses de recursos aos associados do Sistema. Foi cofundadora da Confederação Nacional de Auditoria Cooperativa (CNAC), uma entidade com a missão de trazer transparência e maior credibilidade ao Sistema Nacional de Crédito Cooperativo.
O Sistema Federalcred conta hoje com uma Central e 12 singulares, em 12 estados da Federação. São 18 pontos de atendimento atendendo a mais de 4.000 associados. Emprega, diretamente, 132 funcionários; esse sistema movimenta ainda ativos da ordem de R$ 49,8 milhões, operações de crédito de R$ 39,2 milhões, depósitos de R$ 23,9 milhões e possui um patrimônio líquido de R$ 24,6 milhões.
A crise mundial representou uma oportunidade única, que foi muito bem aproveitada pelo Sistema Federalcred. Enquanto as outras instituições financeiras sofreram, no
final de 2008 e em 2009, com a fuga de recursos e com a consequente escassez do crédito, as cooperativas de crédito do Sistema Federalcred ampliaram, consideravelmente, seus negócios e seu quadro social, principalmente, em razão de sua credibilidade e de sua característica de operar num nicho exclusivo, e, além disso, não é dependente de recursos externos. As singulares do Sistema cresceram entre 16 e 25% nesse único exercício, uma marca espetacular para o Sistema Financeiro Nacional, considerando-se o período de grande turbulência no setor.
O futuro
O projeto do Sistema Federalcred para os próximos anos é o de promover fusões e incorporações, voltadas a uma maior consolidação do sistema no seu segmento. A maioria das singulares integrantes, extrapolando ao público-alvo original, já abriu seus estatutos sociais para filiar todos os servidores públicos federais, o que aumentou exponencialmente seu potencial de crescimento. A perspectiva é possuir, num futuro próximo, apenas cinco grandes cooperativas regionais com abrangência interestadual, congregando cerca de 90.000 associados em todos os estados brasileiros, cerca de 10% do total de servidores públicos. Sua meta é atingir cerca de R$ 740 Milhões em depósitos, R$ 702 Milhões em patrimônio, e R$ 1 Bilhão em operações de crédito, até o ano de 2016.
Federalcred: idealizadores
Norman Raimundo Alencar e Nivaldo do Nascimento
já ostentam um tempo considerável de dedicação ao cooperativismo. O primeiro é papiloscopista policial federal e pioneiro nos movimentos associativos e sindicais na Polícia Federal. O segundo é perito criminal federal, foi chefe do setor de criminalística da Superintendência do Departamento da Polícia Federal (DPF) em Alagoas e coordenou perícias
importantes em nível nacional, inclusive, em cooperativas de crédito. A experiência dos dois na constituição e condução de cooperativas remonta ao início da ascensão do crédito urbano em Mato Grosso, tendo sido peças-chave na evolução e na consolidação atual do segmento naquele estado, que já possui um cooperativismo de crédito maduro e pujante.
Noaman, atual Diretor Presidente da Federalcred Central, foi o principal idealizador do Sistema Federalcred. Ao ser removido de Cuiabá para Maceió, não perdeu tempo e iniciou prontamente o fomento de uma cooperativa de crédito no estado de Alagoas, que, em 1998, viria a ser a primeira Federalcred. Como co-fundador da Central das Cooperativas de Crédito Mútuo de Mato Grosso (CECREMAT) - atual Sicoob Central MT/MS - já constituiu a nova cooperativa pensando na criação futura de uma central e começou a trabalhar para isso. Foi Presidente da singular de Alagoas desde a sua fundação até 2007. Nivaldo juntouse a ele alguns meses depois da constituição da Federalcred AL, também removido de Cuiabá, onde presidia a Cooperativa de Crédito Mútuo dos Policiais Federais em Mato Grosso ( COOPEF) -atual Sicoob Federal - , para Maceió. E um ano após o funcionamento da Federalcred AL, Noaman e Nivaldo já viajavam para outros estados, fomentando a criação de novas cooperativas de crédito no segmento de policiais federais e policiais rodoviários federais. A Federalcred Paraíba nasceu em 1999], e a Federalcred Ceará, em 2000, fruto direto do trabalho dos dois empreendedores. A partir delas e com a constituição da
Central, no final do ano 2000, continuaram a disseminar a semente do cooperativismo já com o suporte da recémcriada federação e, com a inestimável ajuda dos dirigentes locais, transformaram o Sistema Federalcred no que ele é hoje. Nivaldo preside atualmente a Federalcred AL desde 2007 e é Diretor Operacional da Federalcred Central.
Outro nome ligado à origem do Sistema Federalcred é o do atual Superintendente da Federalcred Central, Railson Oliveira. Recrutado do cooperativismo de crédito mato-grossense, é coautor, juntamente com Noaman, do projeto de constituição do Sistema Federalcred, aprovado pelo Banco Central do Brasil, e do projeto de reformulação
do convênio de compensação de cheques e outros documentos com o Banco do Brasil.
ENTREVISTA
TOB – O que significa para o senhor presidir um sistema de cooperativas de crédito? Não é arriscado atuar num mercado tão competitivo?
Noaman Alencar: Presidir o Sistema Federalcred é uma realização e um grande desafio. Desde 2002, quando iniciamos o projeto, continuamos evoluindo a passos largos, nesse mercado altamente volátil e competitivo. O mercado financeiro é, por si só, arriscado, por isso atuamos em um nicho específico, constituído de servidores públicos federais, área em
que adquirimos grande experiência. Para que se tenha uma ideia, enquanto a inadimplência no mercado gira em torno de 8% para pessoas físicas, em nossas cooperativas de
crédito, esse índice não atinge 1% do total das operações.
TOB - A solidez do mercado brasileiro possibilitou sua rápida recuperação diante da crise. O senhor credita essa solidez, também, às cooperativas de crédito?
Noaman Alencar: A solidez do sistema financeiro brasileiro foi consolidada ao longo dos últimos anos, graças à atuação firme e competente do Banco Central, fazendo o Brasil ocupar uma posição de destaque no mundo. As cooperativas de crédito desempenham um papel preponderante como reguladoras das taxas de juros no mercado financeiro brasileiro. No ano passado, quando os bancos restringiram o crédito, as cooperativas atuaram em sentido contrário, oferecendo mais crédito aos seus cooperados e, como consequência, cresceram com mais vigor durante a crise financeira mundial. E exemplo disso foi o Sistema Federalcred.
TOB – Além dos bons números, a crise beneficiou o Sistema Federalcred de outra maneira?
Noaman Alencar: A crise trouxe uma grande lição para todos os agentes que atuam no mercado financeiro. Para manter-se competitiva, a instituição financeira necessita contar com pessoas altamente capacitadas, com habilidades para proceder a análises corretas do cenário atual e futuro. O Sistema Federalcred mantém investimento permanente em capacitação para dirigentes, para fiscalizadores e para colaboradores, contando com assessoria dos melhores profissionais do cooperativismo de crédito brasileiro.
TOB – O projeto de expansão do Sistema Federalcred prevê apenas cinco grandes cooperativas regionais, com abrangência interestadual. Já é possível dizer de antemão quando ocorrerá?
Noaman Alencar: Após minuciosa análise do futuro mercado financeiro, que apontava tendência para redução da taxa Selic, com a consequente redução dos juros e do spead, no início de 2008, o Sistema Federalcred realizou um planejamento estratégico e decidiu por uma correção radical dos rumos do projeto original, que previa a constituição de uma cooperativa de crédito em cada estado brasileiro. Como forma de reduzir custos para manter-se competitivo e seguindo uma clara tendência de mercado global, decidiu-se proceder a incorporações,de forma a ter apenas cinco grandes cooperativas regionais e promover a instalação de postos de atendimento cooperativos em todos os estados brasileiros. Os postos funcionam com estrutura enxuta, mais leve e ágil, prestando um serviço de melhor qualidade aos associados, com um custo significativamente menor. Nosso objetivo é atingir o percentual de 10% (dez por cento) dos servidores públicos federais até 2020 e tornarnos referência nesse segmento, de forma a servir como sistema regulador das taxas de juros para empréstimos consignados.
TOB – É possível o senhor afirmar, diante de resultados tão expressivos, que o Sistema Federalcred está indo além do que idealizou?
Noaman Alencar: Deixo bem claro que somos cooperativas e seguimos fielmente os princípios do cooperativismo. O Sistema Federalcred nasceu com o propósito de promover a organização financeira dos seus associados, de forma a propiciar-lhes melhor qualidade de vida. Nascemos para prestar os melhores serviços nessa área de atuação e não para auferir elevados lucros, como ocorre com as demais instituições financeiras públicas e privadas. Idealizamos o Sistema Federalcred no seio dos servidores das Polícias Federal e Rodoviária Federal, a partir da constatação da grande escalada de endividamento das pessoas em várias instituições financeiras. Inicialmente, o sistema idealizado por nós objetivava constituir pequenas cooperativas de crédito, capazes de atender os nossos cooperados de forma personalizada e eficiente, visando a atingir a nossa principal meta traduzida no slogan do sistema: “Cooperando para uma vida melhor”. A evolução e a dinâmica do mercado demandaram ajustes que permitiram um reposicionamento do sistema cujo êxito está posto na realidade atual. O necessário ganho de escala para sustentação do nosso projeto levou o sistema a expandir-se para todos os servidores públicos federais, com o propósito de atuar para atenuar o elevado endividamento das pessoas que ainda pagam juros extorsivos, principalmente para as diversas financeiras que se apoderam dos contracheques de milhares de incautos, causando, com isso, vários problemas que comprometem a qualidade de vida de uma grande massa de servidores da União. Estamos exatamente no ponto em que deveríamos estar, o posicionamento do Sistema Federalcred é reflexo de um processo de governança criterioso. Sei que há muito por crescer; o contingente de servidores públicos federais é amplo e diverso e nos desafia às novas e relevantes conquistas que, materializadas, resultarão num crescimento significativo para o Sistema Federalcred e, consequentemente, para o sistema cooperativista brasileiro.
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“Reunir-se é um começo, permanecer juntos é um progresso, e trabalhar juntos é sucesso.” (Henry Ford) |



















